Um Dia Normal

9 de Junho de 2009 at 18:48 (Reminiscências de um Louco)

Bem, são 17:61, ou seja, há 61 minutos que tenho estado a pensar escrever isto mas, que, por grande e infinito aborrecimento, só tive vontade de começar agora.

Hoje foi o primeiro dia de facto que tive a vontade, embora pequena, de estudar Português, razão pela qual me dirigi á minha grande escola, atender ao apoio prestado pela nossa professora que, por falta de estudo, ou não por falta de estudo, mas por falta de perguntas relevantes para fazer (que, como já tinha concluído, são todas ridículas), é-me descrevido brevemente como um folhear resumido e até sumido daquilo que vou-me esquecer enquanto o Sol morre e a Lua nasce. É pena, mas a minha memória é algo que nem eu tenho perfeito controlo; lembro-me de coisas que aconteceram hà dez anos e não me lembro das inúmeras pessoas com que me encontro todos os dias (embora que, de uma maneira ou outra, nunca me tenha esquecido de uma musica).

Em termos pseudo-concretos, a aula correu assim: Encontrei o Rações pelo meio, a indicar-me o caminho que eu, com alguma lógica, teria descoberto, entrei na sala, sentei-me depois de colocar toda a matéria no seu local único, toda a matéria sendo o meu Manual, o Livro de Apoio ao Exame da Porto Editora, que, por ter aproveitado os inúmeros vales que me dão da Fnac, deverei ter gasto menos dinheiro, e o meu estojo bicompartimentado; o compartimento de baixo (que pela marca da marca, devia ser o de cima, mas alguém pôs braços onde deviam haver pernas e costas onde deviam haver frentes) é aquele que contem o meu querido compasso e régua Euclidiana (um bloco de plástico rectangular fino que, como os dentes mal-tratados, tornam-se amarelos com o tempo), enfim, tudo o que precisaria para pedreiro, se numa loja trabalhasse. O de cima, e o que usei por uns segundos, contem as minhas inúmeras canetas, a maioria das quais já não tem tinta e portanto não escrevem, as que escrevem são a que a escola me ofereceu, a da fabrica de tinta que por ironia, não uso, e a caneta vermelha que nunca uso a não ser que alguém a peça. Igualmente existem um par de lapiseiras Rotring Tikky de 0.5 mm, perfeitamente o melhor amigo do artista, quer a sua arte seja a escrita (mesmo que ilegível), a esboçagem (embora que apenas nas mesas já riscadas por alguma força desconhecida; quem quereria escrever em mesas e porque é que não notaram nisso mais cedo, a tempo de ser impedido? Dá vergonha ver mesas cujo topo em certos lugares desapareceu), a cartografia (passatempo que me dedicarei sempre, de uma maneira ou outra e que irei, com alta probabilidade, referir neste “forum de uma só pessoa, agora só”), a geometria (em especifico a descritiva, que seria sempre o sonho da Humanidade recriar tudo ao olho de uma máquina que compreendesse e mecanizasse tudo) ou o abstraccionismo (corrente que segui por algum tempo, quando, nas aulas de Geometria Descritiva A, estava demasiado aborrecido com as intersecções repetitivas ou os cortes imediatamente reconhecíveis, e criei uma série de desenhos cujo significado está unicamente contido na minha mente). Facilmente uma lapiseira substituiria um lápis, já que até é muito mais preciso que um lápis que, de 10 em 10 minutos tem de ser afiado de novo, enquanto a grossura inerente do lápis aumenta exponencialmente. Onde há lapiseiras há borrachas (fragmentos delas, cinco se não me engano) e onde há um estudante do Secundário há uma pen, neste caso duas, uma antiga Swissbit de 512 Megabytes e uma Mitsai de 1 Gigabyte (estranhamente custaram-me as duas pra(c)ticamente o mesmo, uns 20 euros.

Sai da sala e virei à direita, depois à esquerda, depois à esquerda e depois à esquerda, segui em frente e virei-me para aquilo que me pareceu ser o Arsenal do Alfeite, se não estivesse a cobrir a paisa(á)gem um edifício, a que a maioria dos meus colegas chama bar, e eu só recentemente o comecei a chamar por tal. Por incidência bebi lá um copo de água (clarificando o que já sabemos todos, um copo de água não passa de um copo, neste caso de vidro, que contem uma porção razoável de água, não um copo feito de gelo que tivesse de esperar meia hora para descongelar e depois beber) e naveguei de novo até ao ponto de partida. Rapidamente notei no grande numero de pessoas que estavam lá, era eu e o Artur e uma serie de outra gente colega que foi enchendo a sala. Rapidamente, e após uma conversa clarificativa sobre a Ficha ENES (que, tal e qual como a resposta dada, nem aqui nem lá me deram resposta para o que é), comecei a folhear o manual de apoio aos exames, na parte dos Heterónimos de Pessoa, começando pelo Alberto Caeiro, o suposto me(é)stre de todas as pessoas de Pessoa, agora sei que é por ele ser o único feliz, aquele que vê as coisas como elas existem, aquele que não se rala (nivel pessoal) com os sentidos das coisas, em suma, aquele que pensa sentindo.

Enquanto digamos “fingia” que estava a receber algum conhecimento novo que ainda não soubesse (o que até é mentira pois em todas as aulas que tive, tive sempre estive concentrado e atento, o meu problema foi sempre o de saber mas não lembrar; posso saber o significado da vida, do universo e de tudo o resto, que é 42, mas não me lembrar dele), a professora respondia a todas e quaisquer duvidas que surgissem a todos os que estavam na sala, o que, às 3 da tarde, parecia estar lotada. As que mais me interessaram e que até foram as mais audíveis, pois todos se calaram perante a capacidade oratória da professora, que explicava algo que deveria interessar a todos, foram a lembrança do significado do titulo da obra “Felizmente há Luar”, e uma das perguntas mais relevantes do “Memorial do Convento”, que neste momento foram os contrastes existentes na obra: Contraste dos Casais (Rei/Rainha e Baltazar/Blimunda), Contraste da Constru(c)ção, Contraste das Classes Sociais e Contraste Sagrado/Profano. A pergunta monologicamente dita que mais piada deve ter provocado perante os rostos da gente foi esta: “Explica a função da fala da Persona(á)gem X”. Enquanto nos debruçávamos pela resposta correcta, com alguma participação desnecessária da minha parte (tenho de ser o centro das atenções, o que se há de fazer), como se continuasse a falar sem pausa alguma, a responder a algo que já fora respondido num passado distante, disse-nos que bastava dizer, num exame, que servia para dar mais vida à persona(á)gem (em contraste ao Narrador dizer: “a Maria disse ao Napoleão bla bla bla Whiskas Saquetas”, em discurso indirecto). Pelo menos foi isto que apanhei.

Os últimos 30 minutos (a partir das 15:40, pelo menos) passei pela maior seca do dia, até agora. Deverei ter bocejado uma miríade de vezes, às vezes por meio minuto (ainda não bati o meu próprio recorde de 5 minutos e enquanto escrevo isto bocejo por 4 segundos), muito em parte do facto que passou pelo João uma vontade de começar a resolver um exame de um ano que não me disse e eu não quis saber. Olhei vagamente e errantemente para o vazio compreendido da parede do lado da porta, esquecendo-me constantemente de piscar, embora seja uma consequência do anterior mencionado. Passou pela minha mente o desejo de remover com um cuidado extremo os vestimentos de uma certa colega minha, depois segurar com ambos os braços nas costas de cada um e arrastar com gentileza os dedos pelo cabelo dela e seguir uma linha estranha de pensamentos confusos e ima(á)gens que penso que ambos ainda não estaremos prontos para assistir, embora que, não havendo noção de tempo, estaremos sempre e nunca preparados para o experiênciar, isto é, se já não o fizemos ambos, talvez num outro domínio, Universo ou vida. No entanto, isto já sou eu a falar com propósito até de publicação, ou estarei eu a falar o que me ocorreu; tais dilemas Pessoa se deparara quando se lembrou de fingir o que verdadeiramente era.

Quando me preparei para sair preparei-me para perguntar as ditas perguntas ridículas à professora, quando outra pergunta também ridícula perguntei ao meu caro e querido colega João, o mesmo que atrás se mostrou existir, por pedir algo que a mente sozinha não acede. Perguntei-lhe sobre sombras e claramente me respondeu, embora que, durante o dialogo, por zonas sombrias passamos juntos.

Acabei por perguntar se Cesário Verde e o Modernismo iria sair no Exame. Responderam-me que Cesário Verde não vai sair, mas que os ismos de vanguarda poderão sair numa pergunta de interpretação. Também perguntei se iria sair os Lusíadas (a parte da reflexão do autor) ou o estudo dos Lusíadas e da Mensa(á)gem. Responderam-me que, como os Lusíadas já saíram no ano passado, a Mensa(á)gem é mais provável de sair.

Sai da sala, do corredor, da portaria e da escola, voltei para casa, estive a ver Naruto, Foster’s Home for Imaginary Friends, lanchei e, uma hora e meia depois do momento a que cheguei a ligar a caixa mágica (a televisão, não o Sistema Operativo mais inútil que Portugal fez), decidi começar a escrever isto, que infelizmente me custou mais que uma hora e divergi-me mais uma vez daquilo que queria falar: a minha vida escolar, só para parar de falar sobre mim.

Aquilo que pude ver, corrigi, aquilo que o corrector automático do Firefox (Português de Portugal) me revelou estar errado está a vermelho, como um exemplo dos meus inúmeros erros que este post deve ter.

Terá de ser para outro Post. Aproveito e digo que estou a pensar fazer mais 2 secções, uma dedicada às minhas aventuras e recordações do World of Warcraft e outra ao meu interesse pelas artes nipónicas, alem da agora prometida secção sobre os meus mapas.

Ate já.

P.S.: Agora que acabei de reler isto tudo pela 3ª vez….. há que melhorar os acentos…..pelo menos 🙂

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1 Comentário

  1. Ganda Ursa said,

    “Passou pela minha mente o desejo de remover com um cuidado extremo os vestimentos de uma certa colega minha, depois segurar com ambos os braços nas costas de cada um e arrastar com gentileza os dedos pelo cabelo dela ”

    Será que o Grande Urso vai confessar quem é a “colega mistério?” ou temos qe esperar plos proximos episodios?

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