A calma antes da tempestade

15 de Junho de 2009 at 14:49 (Reminiscências de um Louco)

Hoje foi, na linha universal do tempo, a última aula de Português que tive do 12º Ano. Para tal efeito tive de acordar relativamente cedo, às 8 da matina, a partir do qual fiquei mais uns 20 minutos na minha cama a apreciar o calor previamente emanado pelo meu corpo durante as inúmeras fases do meu sono insomniaco. Atravessei um bosque de grama só para me dirigir à final aula. A visita, como todas, tinhas dois propósitos, o segundo era ver as salas onde teríamos amanhã de estar encarcerados durante duas horas e meia enquanto fazemos um exame que, devido ao caminho metalizado e até cromado que nos foi apresentado, nos fará diferença nenhuma no futuro, isto é, se o alcançarmos: em suma, é algo que o perdendo nunca ganhamos e a ganha-lo acabamos por perder.

Assim que anotei as minhas notas finais (para auto-confirmação e para egocentrização) e a dos meus colegas (que apenas servem de meio estatístico para instigar a rivalidade que, neste momento, acaba), dirigi-me ao céu, onde se realizava a dita aula. Nada perturbou o meu foco atento, apanhando todos os pedaços da aula que, in media res, me foi apresentada. Nenhuma pergunta perguntei, não por timidez(a) (algo que assassinei a sangue frio e que todos nós devíamos te-lo feito 3 anos antes), mas pelo facto que nada me suscitou curiosidade. Razão esta que, em vez de aluno me continuou a tornar num mestre ocasional, que acompanhava a voz de aquele que suscita as perguntas por querer que nós queiramos sabe-las responder: o verdadeiro mestre e aquele que é pago por um estado que pensa mais nas suas carteiras do que das do povo: Ai memória, o exemplo que deviam ter captado de ti, porque um dia chegaremos a ver o fundo do poço, se já não o vimos; Ai felicidade, infeliz do qual lembre o poderoso as suas origens; pois tudo o que vem atrás é uma névoa límpida e omnipresente, da qual se escapa a toda a força.

Saímos de consciência limpa e com o aviso de que apreciemos a calma antes da tempestade. As pessoas dizem sempre que a pior parte de uma batalha épica é a calma que a antevem. Está em todos os lados, principalmente nos westerns, onde se sabe instintivamente que, sempre que está demasiado silêncio, algo está mal. Mentira absoluta: o pior é a batalha, não morremos de ficar à espera, só de velhice se esperarmos por muito tempo. Mas como amanhã não nos vão chamar para pelejar contra os infiéis, e sim escrevinhar numa folha que nunca mais iremos ver, sobreviveremos.

Dias quentes como estes que nos afligem não são propícios ao estudo, mas, enfim, lutamos contra os deuses e intempéries, contra monstros e monstrengos, contra todos e contra nós próprios, o fim chega numa ode a todos os que ajudaram.

Ontem não escrevi pela simples razão de não querer, nem ter tempo para tal. As musas são fugazes, são serpentes que ondulam pelos mares, pelos céus e só não pela terra porque demasiado dura se torna no percurso delas. Apenas pousando é que elas existem, pois ficamos cegos se olharmos para cima, e se olharmos para baixo só veríamos terra, água não porque já morremos como peixes.

Xau.

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1 Comentário

  1. M.DIZZY said,

    Vejo que gosta muito de escrever.
    Parece-me a mim que está aborrecido com uma certa rotina… Talvez esteja na hora de sair dela para também ter um tom mais alegre (não quero dizer que não o tenha) para sair de um possível tédio que esteja a passar.

    Mas continue! Escreve muito bem!

    Boas escritas!

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