Se eu me afogasse num mar de sangue…

17 de Junho de 2009 at 23:13 (Reminiscências de um Louco)

(Para todos aqueles que ainda tem algum bom senso recomendo que passem esta parte, baseada em contas de coelhinhos e de potências binárias, ou melhor, devia ter sido baseada nesse tipo de coisas se uma aplicação chamada WordPress tivesse a capacidade de fazer texto de vários tamanhos. Tem de ficar assim)

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Argh, finalmente o Exame de Português acabou e Argh, o WordPress não me deixou fazer o que queria (que seria uma relação com um binário de potência 6 com a Sequência de Fibonnaci). Não faço ideia de qual me está a provir mais raiva, mas provavelmente será o WordPress, a do exame expeli-a numa explosão controlada de gestos e movimentações maníacas e loucas que acabaram por ocorrer após a conclusão do exame. No entanto, no ano passado, no de Fisico-Química, a explosão foi recorrente do dia.

Acordei invulgarmente cedo, ás 7 e meia, ficando na cama mais uns 40 minutos. Tomei o pequeno almoço e dirigi-me á escola onde íamos fazer os exames (que por razões de reformas na estrutura original da grande escola, fomos todos recolocados numa que, não tendo esta recompensa fatal, nos pôde albergar). A escola fica a cerca de dez quilómetros, isto é, se tanto fosse a uma velocidade de 1000 vezes à da luz, num plano imaginário. Fazendo as contas, fica a 10 metros. O dia estava bom, nem muito sol nem muito quente, embora que, durante o dia, o sol tenha aparecido, como é seu dever. Rapidamente fui captado pela nossa presente Professora de Português, que me fez a amabilidade de explicar as mensagens que mandara a todos os vampiros que na net encontrou.

Fiquei parado durante uns 15 minutos enquanto dava as não ultimas palavras aos meus colegas. Ás 9, houve silêncio relativo e os encarceradores enjaularam-nos dentro de celas estranhamente confortáveis. Ás 11 e meia, as 42 horas passaram e saímos com pompa e circunstância da sala, dos corredores, do átrio e finalmente do edifício escolar. Uma bela meia hora foi dada à comparação, à conversação, à beautificação, enfim, à universalização de tudo o que aconteceu. E tudo em meia hora. Era meio dia quando parti de novo e rasguei os caminhos da realidade para percorrer o ultimo dos três caminhos: Veni, vidi, vici. Eu vim e vi, se venci saberemos daqui a uma semana. Contudo espera-se o melhor, como sempre se esperou. Tendo em conta a dificuldade do exame, alegro-me de dizer que Felizmente há Luar, embora que, como não sou adivinho, não sei se hoje deveras há.

O exame, tendo sido escrito, não há muito por onde falar. Enfim, foi a tortura que não foi tortura; no fim fico por saber unicamente que foi o fim, todo o resto é levado pelas ondas.

Acabo o dia por me encontrar com uma série de bits e bytes que juntos formaram a fala, texto e imagem viva de um amigo meu que, como demonstrou, tem um problema com a perfeição da corda vocal com que o seu instrumento fala.

A procura incessante do ser lógico por respostas é algo que, embora compreensível, é extremamente interessante. Durante grande parte da nossa vida, andamos á procura de sinais que nos indiquem algo que na nossa génese faça sentido máximo. E é a partir deles que podemos começar a construir um escudo, um propósito, algo que as nossas mentes porém infinitamente fortes não querem responder. Há que se perguntar se de facto a contínua pergunta não trará contínuas respostas e ainda mais perguntas. A resposta final encontra-se onde a luz não alcança, nos pilares que Zero construiu esteve o exemplo, a fénix que morreu deu-nos as ferramentas para o infinito. Entre o vazio e a luz ninguém se encontra.

Se tenho uma ursinha de peluche com a qual abrace e acaricie gentilmente, e em noites de tremenda ânsia ou vontade mútua, nos seguremos unos por momentos a fim, partilhando todos os sentidos intensificados numa explosão de descargas intermitentes de memórias fantásticas, numa caverna isolada de todos, apenas a minha mente poderá responder. No primeiro dia, a colega que sofreu a atenção do meu olhar era aquela que, de face nos livros negros de Português, isolada de toda a confusão e até isolada na sua ilha, me suscitou interesse por estar no campo que a minha vista diz ver. Em breves instantes, recriei a imagem que, vezes e vezes sem conta alguma da minha parte, criei com todos os detalhes que tanto esperei como calculei que tivesse, numa panorâmica perfeita de realidade e espírito. Da Rússia grande, no fim tornar-se-à em alguém de intelecto grande, como todos os que estiveram comigo; se na sua criação poderei dar crédito, é por ter servido de agente para o estudo do real, no entanto, a memória difusa pouco crédito daria, pois só existe crédito em quem o puder dar. Se dissesse que ela era a única do meu olhar naturalmente loginquamente desfocado, estaria a dizer-vos o que consideram por mentira, embora que, neste Universo, o que chamamos de absoluto ou relativo nunca tenha ganho forma.

O meu corpo já se sentou com demais corpos, uns na realidade juntos a mim, já se juntou com ainda mais, até agora, poucos escapam aquilo a que posso deveras fazer. Em dias quaisquer, poderei ter instigado morte para sentir juntos o que de entre nós haveria, noutros dias quaisquer, existiriam duetos ou trios onde um par de entidade idêntica se contactava pelo acto de fechar, através da protuberância carnuda por onde saem os sons, dois corpos em um. A fluição dos viscos internos, o contacto entre os ovos frontais e os montes por onde sai um fluido ausente de pigmento onde, em certas ocasiões, se mergulham as fúrias que se manifestam como um êxtase maravilhoso e irreal. No fim os corpos juntam-se num só, pela final junção do real e sentido e o que de real os distingue fica fora da vista do olhar.

De facto nunca pararei de vos ver ou sentir, neste momento em que escrevo estou com um, dois, três… vinte e quatro separadores alusivos a tudo o que disse: não passam de pontos e linhas unidos pelo poder da mente. (Estarei a mentir?)

A felicidade é falsamente considerada como o grande objectivo das nossas vidas como seres humanos. De facto, a felicidade entra nas nossas vidas de inúmeras formas: a visão de um amanhecer, de crianças a rirem, a compleição de um projecto, até para continuarmos a existir como espécie o próprio acto reprodutivo exprime-se de felicidade. De facto que, para muitos, possa parecer infeliz, na verdade, é necessário ter-se sido um para reconhecer outro: nada mais é do que o seu próprio reconhecimento como ser. O verdadeiro objectivo da nossa existência é aquele que se prende pela infinidade da escuridão. Apenas os que se separaram de si próprios é que podem caminhar até ao fim inexistente.

As conversas que tenho com os meus colegas fora do horário laboral, ou melhor, as que eles, na sua loucura pseudo-embriagada, são as que eles têm comigo; são as próprias deles e também do sistema usado (Messenger), ou seja, como eles próprios reconhecem, a Parvoíce. Podia por aqui a conversa que ontem tive e que, de certa forma, orientou o caminho criativo deste post, pois não teria, como não tenho, qualquer tipo de remorso moral ou ético. No entanto, em respeito da privacidade deles, não irei citar o que eles disseram (porque irei resumir :P). Da demorada curiosidade leviana sobre a misteriosa ursinha cuja identidade já tinha respondido e volto a responder hoje, passaram para as conversas sobre se me estaria a meter dentro do caminho do amor… A resposta é  que eu não poderei dizer, apenas os sinais.

No fim, o mal deles é não procurarem. Eles tem todas as respostas á frente deles, só pela cegueira é que se justifica tal ignorância (agradecido estou ao Sr. José Saramago e ao seu Ensaio sobre a Cegueira, que infelizmente só vi na adaptação cinematográfica).

Se eu me afogasse num mar de sangue… a pergunta com que iniciei este post. Seria uma experiência interessante: enquanto morria veria as faces de todos os que morreram nessas águas, conhecidos, desconhecidos, incógnitos. Teria experimentado tudo o que havia para experimentar e, no entanto, ainda haveria de experimentar muito mais. Os pulmões encheriam-se da matéria vermelha, começo a cheirar metal, os olhos enchidos de negro enchem-se de vermelho. Caio ao abismo viscoso. Acordo, mas não reconheço nada. Flutuo, porque estou dentro do mar; pertenço ao mar. Nenhuma cor vejo, só transparências, sombras, reflexos. Já não cheiro nada. Não sinto dor. Vejo algo á distância. Nado até la, mas não me canso, nunca chegando ao meu destino…….

…….Acordo de um sonho que acordado tinha.

Porque é que não publiquei este post antes? Bem, nenhum escritor deve ser apressado, pois a inspiração vai e vem. No fim, tudo não passa de um sonho que o autor pretende demonstrar. Acabo por vos mostrar este clip que, a todos os que andam por ai a ler este blogue, deverá servir de inspiração ou de apelo para continuarem a apanhar os vossos sonhos.

(Recomendo que arranjem tradução para as líricas, caso não percebam)

サヨナラ, ヒカリ (Aparecendo quadradinhos usem Unicode)

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