Ensaio sobre Bruxos e Bruxarias

20 de Fevereiro de 2011 at 0:34 (Reminiscências de um Louco)

Bem, este assunto veio-me à cabeça sexta-feira, mas como passei a noite a ver filmes dos Marretas (o que deveras me encantou o dia), fiquei apenas com tempo para escrever o titulo.

 

Então… a definição de bruxo, segundo a Wikipédia é a que um bruxo é alguém que faz bruxarias, numa interpretação muito lata da verdade. Bem, isto é giro, mas então o que são bruxarias? Outra vez a Wikipédia vem em auxilio, e designa as capacidades sobrenaturais de uma pessoa como bruxaria. Será?

Bem, já começando desde o meio do ano passado tenho notado a presença de bruxos ao meu lado, nas minhas turmas, no meu curso e na faculdade… Seres que presumo humanos respondem precisamente e exactamente, sem falta de certeza ou confiança, a uma pergunta, de ar absolutamente inocente – e lá a grande máquina da inquisição descobre o bruxo que disse tamanha atrocidade.

Considerando-me uma pessoa normal, porque é que não noto que estes meus colegas são bruxos? Será porque não são mesmo, ou porque tanto eles como eu somos bruxos e, portanto, apenas o mecanismo da inquisição pode purgar os que se acabam por denunciar?

A resposta a este elementar problema é que, se formos bruxos, somos maus bruxos. E, se algum dia fizermos bruxaria, seremos ai Grandes Bruxos, no verdadeiro sentido da palavra. Mas ai a Igreja já tinha de ser avisada… ou isso ou o pessoal do Nobel, se a bruxaria pudesse ser explicada aos simples mortais que rodeiam o Bruxo.

Podemos dividir as pessoas em 3 tipos: Não-engenheiros, engenheiros e Bruxos (sei que estou a ser aberrante, mas para o propósito do ensaio é assim que terei de processar). Os não-engenheiros tem de recorrer aos engenheiros e aos seus engenhos para fazerem bruxaria: não no verdadeiro sentido, porque o engenho dos engenheiros é bruxaria só aos olhos dos que não sabem faze-la. Os Bruxos são aqueles que os engenheiros tem de, com toda a sua força e ira imperial, escorraçar de todos os domínios terrestres, com medo de um dia eles mesmos desaparecerem.

Os queridos não-engenheiros dependem dos engenheiros para tudo o que é mundo – projectar edifícios, prever o tempo de amanhã (que será Provavelmente nublado, com alta precipitação no centro do pais), por barcos a flutuar, ligar uma televisão… tudo as lindas e grandes bruxarias dos tempos modernos, que não passam de artimanhas e artifícios de vendedores manhosos que acabam por saber mais que os que os querem.

Agora, o Bruxo….. Ai! o Bruxo – só dizer o nome d’O Bruxo dá vontade de o dizer de novo. Bruxo! O Bruxo é aquele que sabe! É Bruxo o que não precisa de engenhos! O que não requer a artimanhas é Bruxo! O que diz e acerta é Bruxo! Bruxo! Bruxo! Bruxedos e Bruxarias de Bruxo! BRUXO!!!

Como se pode ver, estes malditos seres, se algum dia existirem, significam o fim do mundo como o conhecemos – acabam por não se precisar das grandes ciências, pois estas malignas criaturas, com a sua previdência incuta, resolvem… não – sabem. SABEM!!! e é por saberem que nós podemos acabar por deixar de querer saber. Por isso a Inquisição é tão importante: temos de destruir os bruxos que encontramos, misturados entre nós.

 

Lembro-me de uma aula de Dinâmica dos Corpos Rígidos onde apanhamos um bruxo com a mão na botija. Estávamos a resolver um exercício de PTV e, do nada, no instantâneo e no imediato, um colega meu disse: “Este parte do corpo não se move” ponto final. Embora o conteúdo exacto da frase se tenha perdido, o facto é que foi por ai que apanhamos o Bruxo. Felizmente… era apenas um engenheiro a querer-se passar por Bruxo (mas o que se dá a estes tipos para quererem fazer isso, com a Inquisição à porta…).

Lembro-me de outro caso, desta vez numa das primeiras aulas do semestre: em Métodos Computacionais “para Engenharia”, uns meus 10 colegas ou mais até…. terem levantado a mão, na resposta do seguinte problema: “Qual é a solução analítica de

Se os meus colegas tivessem respondido o que aqui está indicado… ai seriam Bruxos, ou perto… já que andamos todos de telemóveis na mão, e o Wolfram|Alpha está a uns touchs de distância. Lá nós gostamos de fingir que somos Bruxos, porque se engenheiro passar por Bruxo, acaba por não se tornar em Bruxo, mas num génio.

Sim…… Queremos ser Bruxos porque assim, sabíamos tudo – não precisávamos de estimar, calcular, prever. Isso porque bem… sabíamos. A grande arte da Engenharia caia por terra, porque o que a Engenharia faz é prever o que os Bruxos sabem como certeza real e metafisica.

Nós, Grandes Engenheiros, seremos sempre melhores que os Bruxos – isto porque, para o que eles tomam por garantido, nós lutamos por eles. Lutamos para nos tornarmos perto de Bruxos, as figuras omnisciêntes que qualquer engenheiro sabe que se tem de aproximar, mas que nunca pode, e nunca deve ser.

Anúncios

2 comentários

  1. Catarina said,

    Mas que grande reflexão! E para dizer a verdade algumas vezes gostava de ser bruxa para adivinhar muitas coisas =P (como o euromilhões) ou responder a todas as respostas de Dinâmica. LOL
    No entanto, como vês não ando a estudar para bruxa, mas para engenheira. 🙂

    Gostei da conclusão final.

    Na verdade… O engenheiro é que manda no mundo. Ou se assim não fosse, as pessoas nunca diziam que a culpa é sempre do engenheiro.

    Boas escritas!

  2. Eu vi o Grande Urso ser "bruxo" said,

    Grande Urso,
    Vi-te ser “Bruxo” numa aula de DCR quando chutaste para o ar o grau de hiperstatia de uma estrutura de forma INCORRECTA e foste ate um tanto ou quanto gozado pelo Mário Silva. És bruxo? Cresce e aparece.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: